No dia 19 de agosto, o autodefensor nacional das Apaes, Cosme Silva Santos, acompanhado pela coordenadora estadual de autodefensoria, Maria da Penha Sant' Anna Rosa, participou do I Fórum sobre Deficiência Intelectual e X Jornada do Trabalhador com Deficiência Intelectual, realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
O evento, organizado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), da Câmara dos Deputados, em parceria com a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes) e a Apae do Distrito Federal, teve como objetivo contribuir para o fortalecimento do acesso das pessoas com deficiência intelectual aos espaços de trabalho, lazer, educação, saúde, assistência social, entre outros.
Cosme, na condição de representante nacional das pessoas com deficiência intelectual e múltipla, teve a oportunidade de expor as dificuldades vividas por uma pessoa com deficiência no Brasil e ainda fazer algumas reivindicações, ao participar da Mesa Redonda sobre o tema: Deficiência Intelectual: construindo autogestão e protagonismo social – Quem somos e podemos ser. “Para mim foi muito importante participar deste evento, pois tive a oportunidade de falar sobre a minha história de vida, quem eu era, quem sou hoje e quem eu quero ser. Além disso, pude incentivar os meus colegas a tomar uma atitude e quebrar a resistência, assim como eu fiz”, afirma Cosme.
O Fórum reuniu pessoas com deficiência e seus familiares, profissionais, gestores de órgãos públicos e privados, estudantes e contou com a presença de especialistas que apresentaram palestras e participaram de Mesas Redondas.
História de vida
Cosme Silva Santos tem 27 anos, nasceu na cidade de Bel Monte, na Bahia. Veio morar na cidade de Guarapari/ES, com sua mãe, D. Raimunda, e mais quatro irmãos, quando tinha 15 anos. Estudou em algumas escolas, mas não obteve sucesso, por conta da sua dificuldade de ler e escrever. Foi então que sua mãe o encaminhou para estudar na APAE. “Quando entrei na APAE eu não sabia ler, nem escrever, hoje sei as duas coisas. Além disso, eu era muito tímido e acanhado, coisa que não sou mais”, afirma.
Freqüentemente, Cosme viaja para o interior do estado, e sempre que tem algum evento relacionado aos direitos das pessoas com deficiência, em Brasília, ele é convocado para representar o Movimento Apaeano.
Hoje, ele conquistou sua independência e mora sozinho em um apartamento na Praia do Morro, em Guarapari, onde também trabalha como vendedor de sucoxi. Achou o nome estranho? Cosme explica o que é o tão famoso sucoxi que ele vende na praia: “sucoxi é um suco de abacaxi misturado com leite condensado. Funciona assim: você abre o abacaxi, tira a polpa, espreme e faz o suco, depois mistura com leite condensado e serve no próprio abacaxi”. |