Na última quinta-feira (22), o presidente da Federação das APAEs do Espírito Santo (Feapaes/ES), Rodolpho Luiz Dalla Bernardina, concedeu uma entrevista ao programa Diálogo Aberto, apresentado pelos radialistas Sayonara Lacerda e Milson Henriques, que vai ao ar diariamente, das 11h às 13h, na Rádio Espírito Santo AM.
Hoje (23) está sendo realizada a Campanha Dia Extrabom – Um sorriso a cada pãozinho, em que toda a renda obtida com a venda do pão francês nos Supermercados Extrabom de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, São Mateus e Colatina, será destinada aos projetos das APAEs das respectivas cidades.
Na entrevista, Rodolpho falou de três fatores importantes dessa Campanha: a destinação da renda para os projetos das APAEs, a oportunidade que a Rede Extrabom está proporcionando à APAE de mostrar a sua cara à sociedade e o exercício da responsabilidade social.
A apresentadora considera de extrema importância esse de tipo de campanha. Citou que apóia e acompanha desde o início o MC Dia Feliz. Disse que algumas pessoas comentam o fato de que a emissora apóia uma multinacional. Porém, ela afirma que não importa que seja uma multinacional, uma grande ou pequena empresa, o mais importante é o resultado da responsabilidade social junto à comunidade.
Rodolpho elogiou o trabalho da radialista por não considerar apenas o lado capitalista. Falou que na Europa a questão da responsabilidade social é mais praticada, exercitada e, inclusive, influencia o consumidor na aquisição de produtos. No nosso país pouco se despertou para a responsabilidade social, mas, é muito relevante a abertura de espaços para que as empresas multinacionais, brasileiras e capixabas possam utilizar esse marketing social, que é uma ajuda de mão dupla.
Confira as perguntas e respostas da entrevista:
Milson – Essa Campanha está pegando? No próximo ano será mantida a mesma data?
Rodolpho - Essa é a segunda edição da Campanha e está pegando, a exemplo do Mc Dia Feliz, e deverá ocorrer na terceira sexta-feira do mês de outubro de cada ano.
Milson – Ainda existe muito preconceito com as pessoas portadoras de deficiência?
Rodolpho - Temos avançado na aceitação pela sociedade. É um processo que está caminhando bem, mas, ainda tem muito que avançar.
Milson - Muitas vezes, quando as pessoas têm um filho com deficiência, passam a ter maior empatia com esse movimento. É o caso do jogador de futebol Romário que, após surgir um caso em sua família, passou a colaborar mais com o movimento, ou seja, quando a pessoa sente na pele, ela se envolve mais.
Rodolpho - O rostinho da filha de Romário, que possui Sindrome de Down, já é mais conhecido na mídia. Mas, ainda temos muitas famílias pressionadas, que possuem filhos com outras deficiências e que não se mostram. Hoje, o rostinho da Síndrome de Down é mais conhecido, mas antes as famílias não mostravam o filho, porque a menina tinha que ser loira, bonita, tipo Gisele Bünchen. Ficavam com o filho preso. Hoje as pessoas já levam essas crianças para as APAEs.
Milson - O atendimento das APAEs é gratuito? Qualquer pessoa que tem um filho com deficiência pode se encaminhar a uma APAE?
Rodolpho - O atendimento prestado pelas APAEs é gratuito, mas é pago pela sociedade, pelo povo, pela classe empresarial e, também, tem o apoio do Estado.
Milson - Só tenho visto crianças nas APAEs. É feito o atendimento para idosos?
Rodolpho - Esse é um desafio. Se não se fizer a inclusão do deficiente mental no mercado de trabalho e na sociedade, cria-se um gargalo. O ideal é tratar precocemente esses casos. Havia uma crença que essas pessoas vivem pouco, mas não é verdade. Se elas não se tornarem independentes, quem vai cuidar dessas pessoas, quando ocorrer à morte dos pais?
Milson - Esses casos já estão começando a bater nas portas das APAEs?
Rodolpho – Sim. Em Belo Horizonte-MG, há um projeto de casas lares, que são administrados por um casal social”, que mora com esses adultos, como se fosse uma família constituída. A presidente da APAE de Belo Horizonte esteve aqui e apresentou o projeto para o Governo ?
Em Vitória, ainda não temos essas casas lares. Em Cariacica existem alguns abrigos que não oferecem boa qualidade. Nós temos que caminhar para isso, porque os nossos deficientes mentais estão envelhecendo. Sinto isso na pele. A minha filha tem 22 anos e espero que ela chegue aos 80.
Rodolpho terminou a entrevista agradecendo a oportunidade e o espaço aberto pela Rádio Espírito Santo.