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Usuários da Apae de Vitória se formam em curso do Senai e ampliam chances de entrada no mercado de trabalho

foto destaque
Apae de Vitória
20 de dezembro de 2019
Curso amplia as ações que a Apae de Vitória já desenvolve cotidianamente para a inserção de pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla e/ou autismo no mundo do trabalho
O sonho de entrar no mercado de trabalho para ocupar postos que exigem boa qualificação está mais próximo de se tornar realidade na vida de 19 usuários da Apae de Vitória. Eles se formaram na quarta-feira, 18, e receberam certificados de conclusão do curso do Programa de Aprendizagem em Assistente Administrativo, do Senai-Vitória.

Os alunos estudaram durante todo o ano de 2019 e a formatura aconteceu na quadra da Apae de Vitória, em Bento Ferreira. O curso foi possível graças a uma parceria entre a Instituição, que disponibilizou suas instalações para as aulas e apoio psicossocial para usuários e suas famílias; e a empresa Pelicano Construções S.A., que voluntariamente procurou a instituição no intuito de realizar a contratação de aprendizes, fazendo aporte financeiro para o pagamento da remuneração dos alunos participantes.

Foram parceiros, ainda, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-Vitória), que forneceu material didático, uniforme, apoio operacional e os profissionais que ministram a formação; e a Superintendência Regional do Trabalho do ES, articuladora do processo.

O curso amplia as ações que a Apae já desenvolve cotidianamente para a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho, o que inclui, além da preparação de seus usuários, a articulação com diversas empresas para a inclusão desse público, assim como o acompanhamento da adaptação do funcionário na empresa e as orientações necessárias das equipes que vão se relacionar com a pessoa com deficiência intelectual e múltipla.

Sucesso

Durante a cerimônia, o orador da turma, Carlos Kennedy Pêgo Novaes, 18 anos, parabenizou os colegas pela etapa cumprida e desejou que o sonho de cada um seja realizado. Ele agradeceu à Apae de Vitória e lembrou que a Instituição ajuda na conquista de melhoria na vida das pessoas com deficiência intelectual.

Carlos agradeceu, ainda, à empresa Pelicano, e aos professores do Senai-Vitória pelo carinho e atenção dedicados à turma. E aos futuros alunos ele deixou um recado: “desejo sucesso na vida de vocês e que possam executar bem todas as atividades para que lá na frente possa ser diferente para vocês, assim como tem sido para nós. E que possamos nos encontrar na jornada da vida profissional”, disse.

A mãe de Carlos, Janete Pires Novaes, 52, autônoma, explicou que o curso mudou muita coisa na vida de seu filho. “Ele quer trabalhar. Ele quer crescer na vida. Isso é muito bonito e o curso veio na hora certa. Ele está esperançoso de que haverá uma vaga no mercado de trabalho em 2020. Eu tenho muito a agradecer à Apae. Eu sou muito feliz aqui porque foi aqui que meu filho conseguiu se desenvolver e avançar. Esse trabalho que é feito é um exemplo”.

Bárbara Nascimento dos Reis Silva, 18, também se formou e fez o juramento da turma. Ela cursa o Ensino Médio e está animada com as oportunidades para as quais o curso pode abrir as portas. “A gente se desenvolveu muito com esse curso. A Apae de Vitória nos ajudou a conseguir essa qualificação e agora sabemos que temos mais chances de sermos incluídos no mercado de trabalho. É preciso compreender que somos normais, como as outras pessoas, e queremos uma vida melhor”.

Parceria

A presidente da Apae de Vitória, Maisa Dadalto, falou durante a cerimônia de formatura e agradeceu à equipe da Instituição e aos parceiros no projeto. Ela ressaltou que um dos papeis e um dos objetivos da Apae é colocar os seus usuários no mercado de trabalho, parabenizando os formandos.

Para ela, os alunos do curso se sentirão com condições para concorrer a uma vaga de emprego e a conquista de espaço para uma carreira profissional, ressaltando que é gratificante para a Apae de Vitória ver seus jovens avançando dessa forma.

O terapeuta ocupacional e coordenador do Centro de Convivência da Apae de Vitória, Crystian Moraes Gomes, lembra que há barreiras atitudinais que precisam ser transpostas na sociedade, promovendo uma mudança da relação que se estabelece com as pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla e/ou autismo, incluindo os ambientes de trabalho. Ele lembrou que diversos estudos científicos apontam para um aumento da produtividade quando há inclusão de pessoas com deficiência nas empresas.

Ele aponta, ainda, as famílias como peças essenciais no processo, uma vez que elas participam junto com a equipe da ação reforçando o exercício da autonomia dos usuários também dentro de casa. Além disso, trabalham a própria insegurança que sentem à medida que a pessoa com deficiência intelectual e/ou múltipla e/ou autismo exerce sua autonomia fora de casa.

Oportunidade

O diretor de Educação do Senai-Vitória , Marcos Antonio dos Santos, ressaltou que a entidade sempre esteve à frente de ações inclusivas fazendo certificações para o mundo do trabalho, considerando as particularidades de cada indivíduo. Desta forma, cada formando recebe um histórico que atesta suas capacidades orientando sobre as atividades que pode desempenhar de maneira mediada, contribuindo com o trabalho do RH da empresa e para o acesso a vagas de maior qualificação.

“No decorrer dos anos em que as legislações sobre o assunto foram sendo criadas, ganhamos expertise nessa questão. Sendo assim, podemos dizer para o futuro empregador será informado sobre o que seu futuro colaborador aprendeu, uma vez que cada um aprende de acordo com as suas especificidades”, explicou.

O gerente-geral da Pelicano Construções S/A, Anthonny Zaidan, enfatizou que a experiência com o curso foi avaliada pela empresa como excelente. “Vimos no chamado da Apae uma oportunidade de colaborarmos e podermos fazer algo pela inclusão dessas pessoas. Os resultados são muito gratificantes. Essa foi a primeira vez que tivemos uma turma de pessoas com deficiência intelectual e o resultado é surpreendente. Por isso, já estamos pensando em outras iniciativas futuras para não descontinuarmos a ação”.

É importante ressaltar que o oferecimento do Programa de Aprendizes não suspende o Benefício de Prestação Continuada (BPC) que as pessoas com deficiência recebem do INSS.

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